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Custo da construção acelera em outubro e INCC-M acumula 6,75% em 12 meses

O INCC-M, da FGV, subiu 0,35% em outubro, acima dos 0,25% de setembro, puxado por materiais e serviços. O índice corrige contratos de imóveis na planta.

O custo da construção residencial ganhou força em outubro. O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), calculado pelo FGV Ibre e divulgado em 27 de outubro de 2026, subiu 0,35% no mês, depois de avançar 0,25% em setembro. Com o resultado, o indicador acumula alta de 6,23% de janeiro a outubro e de 6,75% em 12 meses.

A aceleração veio principalmente do grupo de materiais e equipamentos, que passou de 0,17% em setembro para 0,41% em outubro. Os serviços também subiram mais rápido, de 0,15% para 0,31%. Na direção contrária, a mão de obra desacelerou, de 0,37% para 0,27%.

Onde a pressão apareceu

Dentro dos materiais, o subgrupo de materiais estruturais saltou de 0,07% em setembro para 0,72% em outubro. Entre os serviços, o item projetos foi de 0,10% para 0,44%. Os maiores aumentos individuais do mês foram:

  • vidro: alta de 2,96%;
  • argamassa de concreto: 2,16%;
  • salário de engenheiro: 0,73%;
  • bloco de concreto: 0,54%;
  • salário de pedreiro: 0,31%.

Na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país, o INCC-M subiu 0,34% em outubro. O acumulado no ano chega a 6,88% e o de 12 meses, a 7,60%, acima da média nacional. O presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, afirmou que a construção “continua convivendo com pressões importantes” e que o avanço dos materiais e serviços “merece atenção”.

Confiança do setor segue abaixo do neutro

No mesmo dia, o FGV Ibre informou que o Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 0,2 ponto em outubro, para 90,7 pontos, ainda abaixo da linha de 100 pontos que separa otimismo de pessimismo. Na média móvel de três meses, o indicador caiu 0,6 ponto, para 91 pontos.

O retrato do presente piorou: o Índice da Situação Atual recuou 1,7 ponto, para 89 pontos, o menor nível desde maio de 2021. Já as expectativas melhoraram. O Índice de Expectativas avançou 2,1 pontos, para 92,6 pontos, com alta de 2,5 pontos na demanda prevista e de 1,7 ponto na tendência dos negócios, que chegou ao maior nível desde junho de 2025. O uso da capacidade instalada caiu 1,1 ponto percentual, para 77%.

O que muda para quem compra na planta

O INCC é o índice que corrige, durante a obra, as parcelas de quem compra imóvel na planta diretamente da incorporadora. Uma alta acumulada de 6,75% em 12 meses significa que o saldo devedor desses contratos cresce nesse ritmo até a entrega das chaves, quando a correção costuma migrar para outro indicador, em geral o IPCA ou o IGP-M somados a juros.

Para o comprador, a conta precisa considerar esse reajuste mensal ao planejar o fluxo de pagamento até a entrega. Uma parcela intermediária que hoje parece confortável pode ficar mais pesada no fim da obra. Na negociação, vale perguntar se a incorporadora oferece algum teto de correção, desconto para pagamento antecipado ou tabela com parcelas fixas em parte do período.

Para incorporadoras e construtoras, o aumento de materiais estruturais e de serviços de projeto encarece obras que ainda estão na fase de fundação e estrutura, justamente as etapas que mais consomem concreto, blocos e aço. Isso pressiona margens de empreendimentos lançados com orçamento fechado mais cedo e tende a ser repassado aos preços de novos lançamentos.

Para corretores, o dado ajuda a explicar ao cliente por que o preço de tabela de um lançamento costuma subir ao longo das fases de venda: parte da valorização acompanha o próprio custo de construção. Também é um argumento para quem está indeciso entre comprar agora ou esperar, já que o custo de erguer o imóvel segue em alta.

Reflexo no litoral catarinense

No litoral de Santa Catarina, onde boa parte das vendas de apartamentos novos ocorre na planta e com obras de prazo longo, a correção pelo INCC tem peso relevante no valor final pago pelo comprador. O investidor que compra para revender antes da entrega deve comparar a valorização esperada do imóvel com o reajuste acumulado das parcelas no período.

O que observar

  • A divulgação do INCC-M de novembro pela FGV, para ver se a alta de materiais estruturais se mantém.
  • A evolução dos preços de vidro, concreto e blocos, que lideraram as altas em outubro.
  • O comportamento da mão de obra, que desacelerou em outubro, mas pode voltar a pressionar com a retomada de obras.
  • O índice de confiança da construção, que segue abaixo de 100 pontos, apesar da melhora nas expectativas.

Fonte: Diário do Grande ABC / ALEC (dados FGV Ibre)

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