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Itaú BBA estima que estrangeiros podem trazer até R$ 270 bilhões para a bolsa

Banco calcula que o Brasil está subponderado nas carteiras internacionais; normalização poderia atrair R$ 123 bilhões.

O fluxo de investidores estrangeiros para a bolsa brasileira pode estar apenas começando. Segundo estudo do Itaú BBA divulgado em 7 de outubro e publicado pelo InfoMoney, o potencial de entrada de recursos chega a R$ 270,2 bilhões, caso os investidores internacionais voltem a ter no Brasil o mesmo peso que tinham historicamente em suas carteiras.

Brasil abaixo da média

O cálculo parte do índice MSCI de mercados emergentes, usado como referência por grandes fundos internacionais. Hoje, o Brasil representa cerca de 4% desse índice, abaixo da média histórica de 5,6%.

Segundo o banco:

  • Se o peso do Brasil voltasse à média histórica, a entrada seria de cerca de R$ 123 bilhões.
  • Considerando também outros tipos de investidores e fundos, o potencial total chegaria a R$ 270,2 bilhões.
  • Os estrangeiros já respondem por cerca de 45% do volume negociado na bolsa brasileira.
  • No primeiro pregão após o primeiro turno, chamado no mercado de Flávio Day, a entrada estimada foi de cerca de R$ 10 bilhões.

Por que o estrangeiro voltaria

Os analistas apontam alguns fatores que podem atrair o investidor internacional:

  • Expectativa de mudança na política econômica, com mais foco no ajuste fiscal.
  • Ações brasileiras ainda baratas em comparação com outros mercados.
  • Perspectiva de queda dos juros, que favorece empresas mais endividadas e setores sensíveis ao crédito, como o imobiliário.
  • Diversificação em relação a mercados que já subiram muito, como os Estados Unidos.

O que isso pode significar para o setor imobiliário

Uma entrada expressiva de capital estrangeiro tende a beneficiar as empresas do setor imobiliário de várias formas. As incorporadoras listadas na bolsa ganham valor de mercado e mais facilidade para captar recursos, seja por meio de ações, seja por meio de dívidas. Isso pode acelerar novos lançamentos.

Além disso, um real mais forte e juros futuros mais baixos criam condições para a queda das taxas do financiamento imobiliário ao longo de 2027.

Projeção, não garantia

O estudo do Itaú BBA é uma estimativa de potencial, e não uma previsão de que todo esse dinheiro vai efetivamente entrar no país. O fluxo depende do resultado do segundo turno, das primeiras medidas do governo eleito e do cenário internacional.

Em eleições anteriores, o entusiasmo inicial dos investidores estrangeiros nem sempre se manteve ao longo do mandato. Por isso, os analistas recomendam acompanhar a execução das propostas, e não apenas as promessas de campanha.

Como o capital estrangeiro chega ao canteiro de obras

O caminho entre a bolsa e a construção de novos imóveis passa pela capacidade de captação das incorporadoras. Com ações valorizadas, as empresas podem emitir novas ações ou dívidas, como debêntures e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), a custos menores. Esses recursos financiam a compra de terrenos, o desenvolvimento de projetos e as obras.

Quando esse ciclo funciona bem, o resultado é mais oferta de imóveis novos, mais empregos na construção civil e mais opções para o comprador. Por isso, o fluxo estrangeiro na bolsa, embora pareça distante do dia a dia do mercado imobiliário, pode ter efeito concreto na quantidade de lançamentos nos próximos anos.

Dólar, inflação e juros

Um fluxo expressivo de capital estrangeiro tende a valorizar o real. Um câmbio mais estável ajuda a conter a inflação e reforça o espaço para o Banco Central seguir reduzindo a Selic, o que, ao longo do tempo, chega às taxas do crédito imobiliário.

O que observar

  • O peso do Brasil nos índices de mercados emergentes nos próximos meses.
  • O fluxo diário de capital estrangeiro na B3.
  • As primeiras medidas econômicas do governo eleito.
  • A captação de recursos pelas incorporadoras listadas.

Fonte: InfoMoney

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