Fortaleza registrou R$ 2,04 bilhões em vendas de imóveis novos no terceiro trimestre de 2026, alta de mais de 30% em relação ao trimestre anterior, e ficou em terceiro lugar entre os mercados imobiliários do país, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro e empatada com Curitiba. O dado é de levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) com a consultoria Brain, divulgado em 27 de outubro.
A pesquisa considerou 420 empreendimentos de 149 empresas, sendo 214 na capital cearense e 206 na região metropolitana. A medida usada no ranking é o Valor Geral de Vendas (VGV), que soma o valor dos imóveis comercializados.
Vendas e lançamentos em alta na capital
Em unidades, Fortaleza vendeu 3.543 imóveis no terceiro trimestre, 32,2% a mais que os 2.679 do trimestre anterior. Os lançamentos cresceram ainda mais: foram 3.753 unidades, alta de 62,5% sobre as 2.310 do período anterior. Em valor, o VGV lançado chegou a R$ 2,4 bilhões, contra R$ 821,1 milhões no trimestre anterior.
O presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias de Sousa, avaliou que o mercado local continua saudável e que as vendas acompanham, em volume, o que é lançado. Esse equilíbrio entre oferta e demanda é um dos indicadores que o setor acompanha para identificar risco de estoque encalhado.
Para o CEO da Brain, Fábio Tadeu Araújo, parte do resultado se explica pelo desenvolvimento econômico local e pelo Plano Diretor de Fortaleza, que, segundo ele, permite construir bastante em cada terreno e com isso favorece o mercado.
Região metropolitana recua
Fora da capital, o quadro foi diferente. Nos municípios da região metropolitana pesquisados, como Aquiraz, Caucaia, Eusébio e Maracanaú, o VGV vendido caiu 10,6%, de R$ 536,5 milhões para R$ 479,4 milhões. As unidades vendidas recuaram 2,6%, de 1.468 para 1.430.
Os lançamentos também diminuíram: 1.640 unidades, queda de 31,8% em relação às 2.405 do trimestre anterior. O VGV lançado caiu 34%, de R$ 668,6 milhões para R$ 441,3 milhões.
O segmento de loteamentos mostra outra particularidade. Fortaleza está há nove meses sem lançamento de lotes, enquanto a região metropolitana lançou 2.738 lotes de janeiro a setembro, com VGV de R$ 611,2 milhões. No acumulado do ano, foram vendidos 3.792 lotes, queda de 7,6% sobre os 4.102 de 2025, e o valor negociado recuou 8,6%, para R$ 830,7 milhões.
Preços e aluguel também em alta
O bom momento de Fortaleza aparece também nos índices de preço. Segundo o Índice FipeZap, a capital cearense tem a maior alta de aluguel residencial em 12 meses entre as capitais, de 16,59% até setembro, e acumula 12,49% em 2026. Ainda assim, o aluguel médio da cidade, de R$ 42,22 por metro quadrado, segue entre os mais baixos das capitais monitoradas, o que indica espaço para valorização.
O que a virada de Fortaleza ensina
O avanço de Fortaleza reforça uma tendência observada no mercado imobiliário brasileiro: capitais fora do eixo Sul-Sudeste ganham peso nos rankings de vendas e de valorização. Para investidores e corretores de outras regiões, o movimento mostra que regras urbanísticas, como o plano diretor, podem destravar oferta e atrair incorporadoras.
O tema interessa também a quem atua no litoral catarinense, onde a oferta de terrenos e as regras de construção pesam no volume de lançamentos. O caso cearense mostra que regras mais claras para construir podem acelerar lançamentos, mas também que o crescimento nem sempre se espalha para toda a região metropolitana.
Para quem trabalha com vendas, o dado de equilíbrio entre lançamentos e vendas é tão importante quanto o volume. Um mercado que lança muito mais do que vende tende a pressionar preços para baixo e alongar prazos de comercialização. Por enquanto, a avaliação do sindicato é de que Fortaleza não enfrenta esse risco.
O que observar
- Se o ritmo de lançamentos na capital cearense continuará acompanhado pelas vendas no quarto trimestre.
- A recuperação, ou não, da região metropolitana, que recuou em vendas e lançamentos.
- A retomada dos lançamentos de lotes em Fortaleza, parados há nove meses.
- O efeito da alta do aluguel sobre a demanda por compra na capital.
