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Dívida pública chega a 82,9% do PIB: o que o fiscal tem a ver com o juro do seu financiamento

Maior nível desde 2021 pressiona os juros longos, que servem de referência para o crédito imobiliário.

A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central no fim de setembro. Em valores, são R$ 11,1 trilhões, o maior patamar proporcional desde março de 2021, quando o país ainda sentia os efeitos dos gastos da pandemia. O número ajuda a explicar por que os juros seguem altos e por que o tema fiscal se tornou central na eleição presidencial.

Os números das contas públicas

  • Dívida bruta: 82,9% do PIB, ou R$ 11,1 trilhões.
  • Juros nominais pagos em agosto: R$ 105,9 bilhões.
  • Juros acumulados em 12 meses: R$ 1,18 trilhão, o equivalente a 8,86% do PIB.
  • Déficit primário de agosto: R$ 10 bilhões.
  • Déficit nominal em 12 meses: 9,48% do PIB.

O déficit primário mostra a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros. O déficit nominal inclui os juros da dívida, que no Brasil são muito elevados por causa da Selic alta.

Do Tesouro para o seu financiamento

Pode parecer distante, mas a dívida pública afeta diretamente quem quer comprar um imóvel. O caminho é o seguinte:

  • Quando a dívida cresce e há dúvida sobre a capacidade do governo de controlá-la, os investidores exigem juros maiores para comprar títulos públicos.
  • Os juros dos títulos de longo prazo, como o Tesouro IPCA+ e os prefixados, servem de referência para o custo do dinheiro de longo prazo na economia.
  • Os bancos usam essas referências para definir o custo de captação e as taxas do crédito imobiliário, que tem prazos de 20 a 35 anos.

Por isso, mesmo quando a Selic cai, o financiamento imobiliário pode não ficar mais barato se o mercado continuar desconfiado das contas públicas.

Fiscal no centro da eleição

O tema dominou o debate econômico da campanha. O governo atual defende a manutenção do arcabouço fiscal aprovado em 2023, com regras para o crescimento das despesas. A oposição promete cortar ministérios, reduzir impostos e acelerar privatizações, com a meta de equilibrar as contas e abrir espaço para queda dos juros.

Economistas de diferentes correntes concordam que o próximo governo precisará apresentar um plano crível para estabilizar a dívida. A forma de fazer isso, se pelo lado das receitas ou das despesas, é onde os programas divergem.

Por que o mercado reage à política

Quando um candidato é visto pelo mercado como mais comprometido com o ajuste fiscal, os juros futuros tendem a cair. Quando a percepção é de maior risco, eles sobem. Esse movimento acontece antes mesmo da posse, porque os investidores antecipam o que esperam do próximo governo.

Foi o que se viu nas semanas seguintes ao primeiro turno, quando as taxas dos títulos de longo prazo recuaram de forma expressiva.

Um exemplo prático

Imagine um financiamento de R$ 400 mil em 30 anos. Uma diferença de um ponto percentual na taxa de juros anual muda o valor da primeira parcela em algumas centenas de reais e o custo total do contrato em dezenas de milhares de reais. É por isso que a percepção do mercado sobre as contas públicas, que move os juros de longo prazo, tem efeito concreto no bolso de quem financia.

Esse mecanismo também explica por que as taxas do crédito imobiliário às vezes sobem mesmo com a Selic estável ou em queda. Se os investidores passam a exigir mais para emprestar ao governo por prazos longos, os bancos repassam esse custo aos financiamentos de longo prazo.

O que observar

  • Os próximos dados de dívida e resultado primário do Banco Central.
  • As primeiras propostas concretas do governo eleito para o orçamento de 2027.
  • O comportamento dos juros futuros de longo prazo, principal referência para o crédito imobiliário.
  • Eventuais anúncios de metas fiscais pela nova equipe econômica.

Fonte: Poder360 / Banco Central

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