Além da Presidência, o segundo turno de 25 de outubro de 2026 definiu os governadores de cinco estados e do Distrito Federal. Ao mesmo tempo, o resultado das eleições para o Congresso, decidido em 4 de outubro, mostra que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de negociar com uma Câmara e um Senado mais à direita a partir de fevereiro de 2027. A combinação afeta temas centrais para o mercado imobiliário, como o Orçamento, o Minha Casa, Minha Vida e as regras fiscais que influenciam os juros.
Quem venceu nos estados
Os governadores eleitos no segundo turno, com percentuais de votos válidos divulgados pela imprensa, foram:
- Acre: Mailza Assis (PP), reeleita com cerca de 66%, contra Alan Rick (Republicanos).
- Amazonas: Omar Aziz (PSD), com cerca de 60%, contra Professora Maria do Carmo (PL).
- Distrito Federal: Celina Leão (PP), reeleita com cerca de 57%, contra Leandro Grass (PT).
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 52,01%, contra Ricardo Ferraço (MDB).
- Rio Grande do Norte: Cadu de Lula (PT), com 50,77%, contra Allyson Bezerra (União Brasil).
- Tocantins: Vicentinho Júnior (PSDB), com cerca de 64%, contra Professora Dorinha (União Brasil).
O PT conquistou apenas o Rio Grande do Norte nessa rodada. Os demais governos ficaram com partidos de centro e de direita, que serão interlocutores importantes do Planalto em programas habitacionais executados em parceria com estados, como o Minha Casa, Minha Vida. Em Santa Catarina, a disputa terminou no primeiro turno, com a reeleição de Jorginho Mello (PL).
A nova correlação de forças no Congresso
A partir de 2027, o PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, ante 97 eleitos em 2022. O PT terá 70, e a federação PT-PCdoB-PV somará 88. Segundo levantamento do InfoMoney, deputados de partidos de direita somam 303 das 513 cadeiras.
No Senado, partidos de direita elegeram 49 dos 81 senadores, exatamente os três quintos necessários para aprovar emendas constitucionais. O PL terá 28 senadores, e o PT, 9.
Os quóruns mostram a dificuldade:
- Leis complementares, como a que o governo promete enviar para reforçar a meta fiscal, exigem 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
- Emendas à Constituição exigem 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos em cada Casa.
- Nomes indicados para o Banco Central e para o STF precisam de 41 votos no Senado.
O que está em jogo para o setor
O primeiro teste será fiscal. Em 27 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo enviará projeto de lei complementar para buscar o centro da meta de 2027, um superávit de 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões. A proposta orçamentária enviada ao Congresso prevê resultado positivo de apenas R$ 18,6 bilhões quando todos os gastos são considerados. A aprovação dessas regras depende de partidos que, em parte, apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A habitação também passa pelo Congresso. Segundo o portal Portas, alterar o Minha Casa, Minha Vida ou ampliar seu orçamento dependerá de negociação política, e o setor disputa recursos com saúde, educação, Previdência e segurança.
Para Lula, a relação com o Legislativo já está posta. Questionado sobre governar com um Congresso conservador, ele disse: “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar”. Em 26 de outubro, recebeu os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Antes da eleição, a aproximação com os dois precedeu aprovações como o fim da “taxa das blusinhas” e da escala 6×1.
Quem será decisivo
Na avaliação da imprensa especializada, o governo terá de negociar com PSD, MDB, União Brasil, PP e Republicanos. Parte desses partidos esteve com Flávio no segundo turno, mas reconheceu rapidamente a vitória de Lula. As eleições para as Mesas da Câmara e do Senado, em fevereiro de 2027, darão o tom da relação.
Para incorporadoras e corretores, o efeito prático é que a previsibilidade de programas habitacionais e de regras de crédito passa a depender mais do Congresso do que em mandatos anteriores.
O que observar
- A tramitação do projeto de lei complementar sobre a meta fiscal de 2027.
- A votação do Orçamento de 2027 e a verba destinada à habitação.
- A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado em fevereiro de 2027.
- A postura dos novos governadores em parcerias habitacionais com a União.
