A eleição presidencial de 2026 será decidida em segundo turno. Na apuração do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,16%. A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos. Os dois voltam a se enfrentar em 25 de outubro.
Um resultado diferente das pesquisas
O desempenho de Flávio surpreendeu parte dos analistas. Na véspera da votação, a pesquisa Datafolha mostrava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 42%. Nas simulações de segundo turno, o mesmo instituto apontava empate técnico, com Lula numericamente à frente, por 47% a 46%.
Ao longo da apuração, a vantagem do candidato do PL se manteve. Com cerca de 65% das seções apuradas, ele tinha 49,58% contra 42,25% de Lula. A diferença diminuiu com a chegada dos votos do Nordeste, mas não foi suficiente para inverter a posição.
Por que o mercado imobiliário acompanha
A eleição presidencial influencia o mercado imobiliário por três canais principais:
- Juros: a percepção sobre o compromisso fiscal do próximo governo afeta os juros de longo prazo, que servem de referência para o crédito imobiliário.
- Programas habitacionais: o Minha Casa, Minha Vida responde por mais da metade dos lançamentos de imóveis novos, e cada candidato tem uma proposta diferente para o setor.
- Confiança: compradores e investidores costumam esperar o resultado para tomar decisões de longo prazo.
As propostas para habitação
Os dois candidatos apresentaram planos distintos:
- Lula propõe manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, com programas complementares como Reforma Casa Brasil, Periferia Viva e o uso de terrenos da União para moradia.
- Flávio propõe retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias e juros reduzidos, além de regularização fundiária com escrituras em nome das mulheres e uso de parcerias público-privadas.
Nenhum dos planos detalha custos de forma completa, o que deve ser cobrado durante a campanha do segundo turno.
O cenário no Congresso
O resultado das eleições legislativas também foi relevante. O PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 deputados, enquanto o PT terá 70, ou 88 considerando a federação. Ainda assim, nenhum dos lados terá maioria automática, o que obriga o próximo presidente a negociar com partidos de centro para aprovar reformas e o orçamento.
Primeiras reações do mercado
Na manhã seguinte ao primeiro turno, o mercado financeiro reagiu com forte otimismo. O dólar caiu, a bolsa subiu e os juros futuros recuaram. Entre as ações que mais subiram estavam as de incorporadoras, especialmente as de médio e alto padrão.
O movimento reflete a leitura de parte dos investidores de que uma vitória da oposição traria uma política fiscal mais restritiva e, consequentemente, espaço para juros menores no futuro. Essa leitura, porém, ainda depende do resultado do segundo turno e das medidas concretas que o eleito vier a adotar.
Por que o mercado reage antes da posse
O novo presidente só toma posse em 1º de janeiro de 2027, mas o mercado financeiro costuma reagir já no dia seguinte à eleição. Isso acontece porque os preços dos ativos refletem expectativas sobre o futuro. Se os investidores passam a acreditar que a política econômica vai mudar, compram ou vendem títulos, ações e moedas antes que a mudança aconteça.
Para o mercado imobiliário, essa antecipação é relevante porque os juros de longo prazo, que influenciam o custo do financiamento, se movem com essas expectativas. Uma eleição que muda a percepção de risco pode alterar as condições de crédito meses antes de qualquer medida concreta do novo governo.
O que observar
- As pesquisas de segundo turno, que vão mostrar se a vantagem do primeiro turno se mantém.
- O detalhamento das propostas econômicas e habitacionais durante a campanha.
- O comportamento dos juros futuros e das ações do setor imobiliário até 25 de outubro.
- As alianças com partidos de centro, que vão definir a governabilidade do eleito.
