Depois de terminar o primeiro turno à frente, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) passou a ter seu plano econômico analisado com mais atenção por investidores e empresários. Reportagem da Forbes Brasil publicada em 5 de outubro reuniu as principais propostas do programa de governo e as comparou com a situação atual da economia.
As principais propostas
- Meta de crescimento econômico de 4% ao ano.
- Redução de 10 ministérios.
- Revisão da reforma tributária, com redução da alíquota do novo imposto sobre valor agregado (IVA).
- Fim do IOF, o imposto sobre operações financeiras.
- R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura.
- Retomada das privatizações.
- Transformação da Caixa em uma plataforma de crédito, chamada de Banco da Prosperidade.
- Retomada do Casa Verde e Amarela, com 2,5 milhões de moradias.
Habitação no plano
Além da meta de moradias, o programa prevê obras de contenção de encostas dentro de um programa chamado Brasil sem Medo, regularização fundiária com escrituras emitidas preferencialmente em nome das mulheres, parcerias público-privadas para habitação e universalização do saneamento até 2033.
Outra proposta é o programa Ganha-Ganha, que converteria pontos acumulados pelos cidadãos em redução de juros e cashback. O funcionamento detalhado não foi apresentado.
O ponto de partida
A reportagem lembra a situação econômica que o próximo presidente vai encontrar:
- Dívida bruta de 82,9% do PIB.
- Desemprego de 5,3%, um dos menores da série histórica.
- Informalidade de 37,5% dos trabalhadores.
- Renda média de R$ 3.777.
O que interessa ao mercado imobiliário
Algumas propostas têm efeito direto sobre o setor:
- O fim do IOF reduziria o custo de algumas operações de crédito, embora o financiamento imobiliário para pessoa física já tenha tratamento diferenciado.
- A revisão da reforma tributária pode mudar a tributação das vendas e dos aluguéis de imóveis, que está em fase de regulamentação.
- O papel da Caixa como plataforma de crédito afeta diretamente o financiamento habitacional, já que o banco responde pela maior parte dos contratos do país.
- Os investimentos em infraestrutura e saneamento tendem a valorizar regiões que hoje têm pouca estrutura.
As lacunas
Analistas destacam que o plano não informa os custos das medidas nem como elas seriam compatibilizadas com o controle da dívida. O fim do IOF e a redução de impostos diminuem a arrecadação, enquanto os investimentos em infraestrutura e habitação exigem recursos. A resposta, segundo o programa, viria de corte de despesas, privatizações e crescimento econômico mais forte.
Essa equação é o principal ponto de atenção dos investidores, que reagiram com otimismo ao primeiro turno, mas vão cobrar detalhes concretos caso o candidato seja eleito.
A Caixa no centro do crédito habitacional
A Caixa Econômica Federal responde pela maior parte do crédito imobiliário do país e é o principal agente do Minha Casa, Minha Vida e das linhas com recursos do FGTS. Sua carteira imobiliária passou de R$ 1 trilhão em 2026. Por isso, qualquer mudança no papel do banco tem impacto direto sobre compradores, incorporadoras e corretores.
A proposta de transformar a Caixa em uma plataforma de crédito ainda precisa ser detalhada. Entre as dúvidas do mercado estão o tratamento das linhas subsidiadas, a política de juros para a classe média e a manutenção do volume de contratações que sustenta o segmento econômico.
Privatizações e infraestrutura
A retomada das privatizações e o investimento de R$ 900 bilhões em infraestrutura também podem afetar o mercado imobiliário de forma indireta. Obras de rodovias, ferrovias, portos e saneamento costumam valorizar as regiões beneficiadas e abrir novas frentes de expansão urbana.
O que observar
- A indicação do futuro ministro da Fazenda, caso Flávio vença.
- O detalhamento do Casa Verde e Amarela e do papel da Caixa.
- As propostas de mudança na reforma tributária.
- A reação dos juros futuros às sinalizações fiscais da campanha.
