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O que Lula quer manter e mudar na economia em um novo mandato

Presidente defende arcabouço fiscal, Novo PAC e fundos de crédito; despesas com juros chegam a R$ 1,18 trilhão em 12 meses.

Na disputa do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na continuidade da política econômica adotada desde 2023, com alguns ajustes. Reportagem da Forbes Brasil publicada em 6 de outubro resumiu o que o candidato pretende manter e o que pretende mudar em um eventual novo mandato.

O que Lula quer manter

  • O arcabouço fiscal, regra aprovada em 2023 que limita o crescimento das despesas.
  • O Novo PAC, programa de investimentos em infraestrutura, que inclui obras de habitação, saneamento e mobilidade.
  • A Nova Indústria Brasil, política de incentivo à indústria nacional.
  • Os fundos de crédito voltados a setores considerados estratégicos.

O que Lula quer mudar

  • Ampliar a atuação da Petrobras, com a volta da empresa à distribuição de combustíveis.
  • Discutir o fim da escala de trabalho 6×1, em que o trabalhador folga um dia por semana.

Habitação

Embora a reportagem da Forbes não detalhe as propostas habitacionais, o programa de governo do PT prevê manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, além de ações como a Compra Assistida, o uso de terrenos da União para moradia, o programa Imóvel da Gente, o Reforma Casa Brasil e o Periferia Viva. O plano não traz metas numéricas de unidades.

O Minha Casa, Minha Vida foi uma das principais marcas do atual mandato. Em 2026, o programa passou a responder por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis novos no país e ganhou a Faixa 4, voltada à classe média.

O desafio dos juros

A reportagem destaca o peso dos juros nas contas públicas. Nos 12 meses até agosto, o governo pagou R$ 1,18 trilhão em juros da dívida. O déficit primário, que exclui os juros, foi de R$ 82,1 bilhões no período.

Esse é o principal ponto de crítica do mercado financeiro à política econômica atual. Para os críticos, o crescimento das despesas mantém a dívida em alta e impede uma queda mais rápida dos juros. Para os defensores, o arcabouço fiscal vem sendo cumprido e os investimentos públicos são necessários para o crescimento.

O que interessa ao mercado imobiliário

  • A continuidade do Minha Casa, Minha Vida garante previsibilidade para as incorporadoras do segmento econômico.
  • O Novo PAC inclui recursos para habitação e saneamento, que afetam a valorização de regiões periféricas.
  • A política fiscal vai determinar o ritmo de queda dos juros e, por consequência, o custo do financiamento imobiliário.
  • O fim da escala 6×1, se aprovado, pode afetar o custo da mão de obra na construção civil.

O debate sobre o arcabouço fiscal

O arcabouço fiscal limita o crescimento das despesas do governo a uma parcela do aumento da arrecadação, dentro de um intervalo definido. O objetivo é estabilizar a dívida pública ao longo do tempo. Desde sua aprovação, a regra tem sido alvo de debate: para parte do mercado, ela permite um crescimento de gastos alto demais; para o governo, garante equilíbrio sem cortar investimentos sociais.

A forma como o próximo governo vai lidar com essa regra é um dos fatores mais observados pelos investidores. Sinais de reforço do compromisso fiscal tendem a derrubar os juros de longo prazo. Sinais de flexibilização tendem a elevá-los, com reflexo direto nas taxas do financiamento imobiliário.

Novo PAC e valorização regional

Os investimentos do Novo PAC em mobilidade urbana, saneamento e habitação podem influenciar a valorização de bairros e cidades. Regiões que recebem obras de transporte e infraestrutura costumam ganhar atratividade para moradores e investidores, o que se reflete nos preços dos imóveis ao longo dos anos.

O que observar

  • O detalhamento das propostas habitacionais durante a campanha do segundo turno.
  • Eventuais sinalizações sobre mudanças no arcabouço fiscal.
  • A posição do candidato sobre a regulamentação da reforma tributária para imóveis.
  • A reação do mercado às pesquisas de segundo turno.

Fonte: Forbes Brasil

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