As ações das incorporadoras estiveram entre as maiores altas da bolsa brasileira no primeiro pregão após o primeiro turno da eleição presidencial. O Índice Imobiliário da B3 (IMOB) chegou a subir 13,5% durante o dia 5 de outubro, atingindo 1.591 pontos e acumulando alta de 22% no ano, segundo o MoneyTimes.
As maiores altas
Durante o pregão, as ações do setor tiveram valorizações expressivas:
- Cyrela (CYRE3): alta de cerca de 21%.
- Plano&Plano (PLPL3): alta de cerca de 20%.
- Even (EVEN3): alta de cerca de 18%.
- Eztec (EZTC3): alta de cerca de 17%.
- MRV (MRVE3): alta de cerca de 16%.
- Moura Dubeux (MDNE3): alta de cerca de 15%.
- Direcional (DIRR3): alta de cerca de 13%.
- Tenda (TEND3): alta de cerca de 12%.
Por que as incorporadoras sobem com a eleição
O setor imobiliário é um dos mais sensíveis aos juros. Quando os investidores passam a esperar juros menores no futuro, as incorporadoras são duplamente beneficiadas: o custo de financiar as obras cai e os compradores conseguem financiamentos mais baratos, o que aumenta as vendas.
Como o mercado interpretou o resultado do primeiro turno como sinal de possível mudança na política econômica, com mais foco em ajuste fiscal, os juros futuros caíram e as ações do setor dispararam.
Alto padrão x baixa renda
Os bancos de investimento passaram a diferenciar os segmentos. O JP Morgan elevou a recomendação de Cyrela e Eztec para compra (overweight) e rebaixou Cury, Direcional e Tenda para neutro. A ordem de preferência do banco passou a ser Cyrela, Eztec, MRV, Direcional, Cury e Tenda.
A lógica é que as incorporadoras de médio e alto padrão dependem mais do crédito com recursos da poupança e de juros de mercado, que seriam os mais beneficiados por uma queda das taxas. Já as empresas focadas no Minha Casa, Minha Vida têm um risco adicional: uma eventual mudança de governo poderia trazer um crédito mais restrito na Caixa e menos apoio ao programa habitacional.
O BTG Pactual passou a ver Flávio Bolsonaro como favorito e lembrou o precedente de 2018. Naquele ano, após a eleição de Jair Bolsonaro, a relação entre preço e valor patrimonial das ações da Cyrela subiu 112%, e a da Eztec, 64%.
O que muda para quem compra imóvel
A alta das ações não altera imediatamente os preços dos imóveis nem as taxas de financiamento. Mas ela sinaliza que as incorporadoras podem ter mais facilidade para captar recursos e retomar lançamentos, especialmente no médio e alto padrão, segmento que reduziu a oferta nos últimos dois anos.
Para o comprador, isso pode significar mais opções de imóveis novos em 2027. Para o investidor, a retomada da confiança tende a sustentar os preços dos imóveis já existentes.
Riscos
A euforia de um único dia não garante a continuidade da alta. O resultado do segundo turno ainda está em aberto, e as incorporadoras de baixa renda dependem de regras do programa habitacional que podem mudar. Analistas também alertam que o preço das ações já incorpora parte do otimismo.
Por que a bolsa importa para quem compra imóvel na planta
Incorporadoras com ações valorizadas e acesso fácil a recursos têm mais fôlego para lançar novos empreendimentos, cumprir prazos de obra e oferecer condições de pagamento atrativas, como entrada parcelada. Em períodos de crise, ao contrário, empresas com dificuldade financeira podem atrasar obras ou reduzir lançamentos.
Para o comprador de imóvel na planta, acompanhar a saúde financeira da incorporadora é uma forma de reduzir riscos. Empresas listadas na bolsa divulgam resultados trimestrais, o que permite verificar endividamento, ritmo de vendas e geração de caixa. Para empresas de capital fechado, vale verificar o histórico de entregas e o registro do patrimônio de afetação do empreendimento.
O que observar
- As pesquisas do segundo turno e a reação do IMOB.
- As propostas dos candidatos para o Minha Casa, Minha Vida e para o crédito da Caixa.
- Os anúncios de lançamentos das incorporadoras para o fim do ano.
