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Aluguel residencial sobe 0,52% em setembro e Florianópolis tem uma das maiores altas do mês

Índice FipeZap mostra a menor alta mensal desde abril, mas o aluguel acumula 7,11% no ano, quase o dobro da inflação. Capital catarinense tem o quinto metro quadrado mais caro entre as capitais.

O preço do aluguel residencial anunciado no país subiu 0,52% em setembro de 2026, segundo o Índice FipeZap de Locação Residencial, calculado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX e divulgado em 14 de outubro. Foi a menor alta mensal desde abril. Mesmo assim, o aluguel acumula 7,11% de janeiro a setembro e 9,13% em 12 meses, bem acima do IPCA, que avançou 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses no mesmo período.

O desempenho de setembro ficou abaixo da inflação do próprio mês: o IPCA subiu 0,82% e o IGP-M, 1,57%. O índice acompanha os valores pedidos em anúncios de novos contratos em 36 cidades, e 31 delas registraram alta na passagem de agosto para setembro.

Ritmo de alta perde força

A sequência de 2026 mostra uma desaceleração gradual. O aluguel subiu 1,04% em abril, 0,85% em maio, 0,81% em junho, 0,70% em julho, 0,55% em agosto e 0,52% em setembro. Segundo a economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, a intensidade dos reajustes nos novos anúncios vem diminuindo.

O movimento também aparece na série anual. O aluguel residencial subiu 16,55% em 2022, 16,16% em 2023, 13,50% em 2024 e 9,44% em 2025. Ou seja, a alta continua forte, mas cada ano tem sido menos intenso que o anterior.

A comparação com o preço de venda reforça a diferença entre os dois mercados. Em 12 meses, os imóveis à venda subiram 5,51%, contra 9,13% do aluguel, uma distância de 3,62 pontos percentuais. Para a economista, os valores de locação são naturalmente mais flexíveis que os de venda, e o cenário de juros elevados e financiamento mais restrito ajuda a sustentar a demanda por aluguel.

Onde o aluguel mais subiu

Entre as capitais, Fortaleza lidera a alta em 12 meses, com 16,59%, seguida por Natal (16,51%), Aracaju (15,52%), Rio de Janeiro (14,80%) e Vitória (14,22%). No acumulado de 2026, Campo Grande aparece na frente, com 16,91%.

No mês, Goiânia teve a maior alta entre as capitais (1,15%), seguida de Maceió (1,06%) e Florianópolis (1,02%). Três capitais tiveram queda em setembro: Brasília (-0,53%), Cuiabá (-0,19%) e Aracaju (-0,16%). Em São Paulo, o aluguel subiu 0,64% no mês, 4,93% no ano e 6,22% em 12 meses.

O metro quadrado médio de locação nas 36 cidades ficou em R$ 54,77. Entre as capitais, os maiores valores são os de São Paulo (R$ 65,78), Recife (R$ 64,39), Belém (R$ 62,25), Rio de Janeiro (R$ 61,86) e Florianópolis (R$ 61,81). Os menores estão em Teresina (R$ 32,59) e Campo Grande (R$ 32,95).

Florianópolis e Joinville

A capital catarinense vive uma situação particular. O aluguel subiu 1,02% em setembro, uma das quatro capitais com alta acima do IPCA no mês, mas o acumulado do ano é de apenas 2,65% e o de 12 meses, de 3,56%, o menor entre as 22 capitais monitoradas. Na prática, Florianópolis já tem um aluguel caro, perto do topo do ranking, e por isso tem menos espaço para reajustes fortes. O rendimento bruto estimado do aluguel na cidade é de 5,42% ao ano.

Joinville, que também integra o levantamento, teve alta de 0,51% em setembro, 4,03% no ano e 6,15% em 12 meses. O metro quadrado médio de locação ficou em R$ 38,53, com rendimento estimado de 5,37% ao ano.

Rentabilidade e tamanho do imóvel

O rendimento médio do aluguel residencial no país ficou em 6,13% ao ano em setembro. Recife tem a maior taxa entre as capitais, de 8,30%, e Vitória, a menor, de 4,22%. Entre todas as cidades, Santos (SP) lidera, com 8,40%.

O tamanho do imóvel faz diferença. Unidades de um dormitório têm metro quadrado médio de R$ 72,68 e rendimento de 6,74% ao ano, enquanto os de quatro ou mais dormitórios rendem 4,86%. Os imóveis de dois dormitórios tiveram a maior alta em 12 meses, de 10,15%.

Para o investidor, esses números indicam que os imóveis compactos seguem com a melhor relação entre preço e renda. Para o inquilino, o recado é que a pressão ainda existe, embora menor. Para o corretor que trabalha com locação, cidades como Florianópolis exigem mais atenção ao preço pedido, já que o mercado mostra pouca folga para reajustes acima da inflação.

O que observar

  • Se a desaceleração mensal continua em outubro, aproximando o aluguel da inflação.
  • O comportamento de Florianópolis, que alterna alta mensal forte com acumulado baixo no ano.
  • A diferença entre o rendimento do aluguel e os juros, que pesa na decisão de quem compra para alugar.
  • O efeito da temporada de verão sobre a oferta de imóveis para locação anual no litoral catarinense.

Fonte: InfoMoney

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