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Na plantaPreços e Aluguel

IGP-10 sobe 1,76% em outubro e sinaliza reajuste maior para contratos de aluguel

Prévia da família de índices da FGV veio acima do esperado, puxada pelos preços no atacado. IGP-M de outubro, usado em muitos contratos, sai em 29 de outubro.

O Índice Geral de Preços 10 (IGP-10), calculado pela Fundação Getulio Vargas, subiu 1,76% em outubro de 2026, segundo dado divulgado em 19 de outubro. O resultado veio acima do registrado em setembro, de 1,47%, e superou a projeção de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam alta de 1,44%. Em 12 meses, o índice acumula 5,02%.

O IGP-10 tem a mesma estrutura do IGP-M, o indicador mais tradicional nos contratos de aluguel, mas usa um período de coleta diferente: de 11 de setembro a 10 de outubro. Por isso, costuma ser acompanhado como um sinal do que pode vir no IGP-M do mês, que a FGV divulga em 29 de outubro.

O que puxou a alta

A aceleração veio principalmente do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que responde por 60% do indicador, subiu 2,36% em outubro, depois de 1,90% em setembro. Segundo o economista Matheus Dias, do FGV Ibre, a gasolina automotiva foi um dos principais fatores, ao lado de produtos da cadeia da soja e dos bovinos.

No varejo, o movimento foi outro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) desacelerou de 0,44% para 0,39%, com pressão de alimentos in natura, como tomate e batata. Café em grão e tarifas de energia elétrica residencial caíram, mas não compensaram as altas.

O custo da construção também perdeu fôlego. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,28% em outubro, ante 0,50% em setembro, o que é uma notícia positiva para incorporadoras e para quem tem contrato de imóvel na planta corrigido por esse índice.

Por que isso importa para o aluguel

O IGP-M passou boa parte de 2026 abaixo da inflação ao consumidor. Depois de quedas em junho (-0,50%), julho (-1,16%) e agosto (-0,22%), o índice voltou a subir com força em setembro, 1,57%, e passou a acumular 3,45% no ano e 3,34% em 12 meses. Esse acumulado de 3,34% é o que vale para os contratos com aniversário em outubro e reajuste pelo IGP-M.

Com o IGP-10 de outubro acima do esperado e o atacado acelerando, a tendência é que o reajuste dos contratos com aniversário em novembro, calculado com o IGP-M de outubro, seja maior que o atual. O tamanho exato só será conhecido em 29 de outubro, com a divulgação oficial.

Para o locador, isso significa recuperação de parte da renda que ficou para trás nos meses de deflação do índice. Para o inquilino, significa um aumento mais pesado do que nos meses anteriores. Os contratos podem usar outros indicadores, como o IPCA ou o IVAR, também da FGV, que mede a variação dos aluguéis efetivamente pagos. O IVAR subiu 0,28% em setembro e acumulou 5,08% em 12 meses, segundo a FGV. Em São Paulo, o índice teve alta mensal de 0,15%; no Rio de Janeiro, de 0,45%; em Porto Alegre, de 0,57%; e em Belo Horizonte ficou estável.

Como fica a negociação

Na prática, o índice previsto em contrato é apenas o teto do reajuste. Quando o IGP-M sobe mais que o mercado, é comum que proprietário e inquilino negociem um percentual menor para evitar a saída do morador e o custo de um imóvel vago.

Para o corretor e a imobiliária, a virada do IGP-M exige atenção às renovações. Nos meses em que o índice ficou negativo, muitos contratos tiveram reajuste baixo ou nulo. Agora, a tendência é o oposto, e quem administra carteira de locação deve preparar os inquilinos para o novo valor e avaliar se o percentual cheio é compatível com o preço praticado na região.

Nos novos contratos, a escolha do indexador também volta ao centro da conversa. O IGP-M é mais sensível a commodities, combustíveis e câmbio, o que o torna mais volátil. O IPCA e o IVAR tendem a oscilar menos, o que pode ser um argumento para dar previsibilidade às duas partes.

O que observar

  • O IGP-M de outubro, que a FGV divulga em 29 de outubro e define os reajustes de contratos com aniversário em novembro.
  • O comportamento dos combustíveis e das commodities agrícolas, que pesam no atacado.
  • A evolução do INCC, que corrige contratos de imóveis na planta.
  • O IVAR de outubro, que mostra se os aluguéis efetivamente pagos acompanham o movimento do IGP-M.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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