O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro de 2026, segundo o IBGE, que divulgou o dado em 23 de outubro. O resultado ficou bem abaixo do registrado em setembro, de 0,70%, e também abaixo da expectativa de mercado, de 0,43%, segundo consenso da Reuters. No ano, o indicador acumula 4,15% e, em 12 meses, 4,62%, acima dos 4,47% dos 12 meses anteriores.
O grande responsável pela desaceleração foi o grupo Habitação, que passou de alta de 2,07% em setembro para queda de 0,10% em outubro. Foi o único dos nove grupos pesquisados com resultado negativo.
Conta de luz alivia o bolso
A principal contribuição para baixo veio da energia elétrica residencial, que caiu 0,89% em outubro, depois de ter subido 7,42% em setembro. A mudança aconteceu porque a bandeira tarifária passou de amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, para verde, sem cobrança adicional.
Em Fortaleza, a energia caiu 4,00%, por causa de uma redução de 6,65% nas tarifas em vigor desde 26 de agosto. Em Belém, foi o contrário: alta de 3,71%, com reajuste tarifário de 6,63% desde 18 de setembro.
A taxa de água e esgoto também recuou, 0,89%, influenciada pelo desconto de 25% na tarifa mínima em Curitiba, onde o item caiu 8,05% a partir de 1º de outubro. Já o gás de botijão subiu 1,28%.
Aluguel segue em alta moderada
O aluguel residencial, que mede o que as famílias pagam nos contratos, subiu 0,28% no IPCA-15 de outubro. O número é bem menor que o ritmo dos novos anúncios. Segundo o Índice FipeZap, o valor pedido em novos contratos subiu 0,52% em setembro e acumula 9,13% em 12 meses.
A diferença entre os dois indicadores tem explicação. O IPCA-15 capta o aluguel de contratos já em vigor, que só mudam no aniversário anual, enquanto o FipeZap acompanha os preços anunciados para novas locações. Para o inquilino que está trocando de imóvel, a pressão costuma ser maior que a medida pela inflação oficial.
Alimentos voltam a pressionar
Se a habitação ajudou a segurar o índice, os alimentos foram na direção oposta. O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,88% e teve o maior impacto do mês, de 0,19 ponto percentual. A alimentação no domicílio passou de 0,38% para 1,01%, com destaque para tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%).
Nos transportes, os combustíveis aceleraram de 0,22% para 1,20%, com alta de 3,70% no óleo diesel, 2,73% no etanol e 0,92% na gasolina. As passagens aéreas, porém, caíram 9,24% e deram a principal contribuição negativa do mês.
Entre as 11 áreas pesquisadas, dez tiveram alta. Belém registrou a maior variação (0,76%) e Curitiba, a menor (-0,27%). O IPCA-15 não inclui Florianópolis entre as regiões com resultado próprio.
O que isso significa para o mercado imobiliário
Uma inflação mais comportada é uma condição importante para que o Banco Central reduza a Selic, o que tende a baratear o crédito imobiliário ao longo do tempo. O resultado de outubro, abaixo do esperado, vai nessa direção, embora a alta dos alimentos e dos combustíveis mostre que o alívio não é generalizado.
Para quem tem contrato de aluguel corrigido pelo IPCA, o acumulado em 12 meses na casa de 4,6% dá uma referência do reajuste que vem pela frente. Para proprietários, o aluguel residencial subindo acima da inflação geral mantém a renda da locação protegida. Para o comprador, a queda na conta de luz traz um pequeno alívio no orçamento, mas não muda o quadro de juros ainda altos para financiar.
O que observar
- O IPCA cheio de outubro, que o IBGE divulga em novembro e confirma ou não a desaceleração.
- A bandeira tarifária de novembro, que pode mudar de novo o peso da energia na habitação.
- O ritmo do aluguel residencial nos contratos em vigor frente aos novos anúncios.
- A próxima decisão do Copom sobre a Selic, que depende do comportamento da inflação.
