O mercado financeiro teve um dos dias mais intensos do ano na segunda-feira, 5 de outubro, o primeiro pregão após o primeiro turno da eleição presidencial. O dólar caiu 4,12% e fechou cotado a R$ 5,0022, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 7,85% e terminou o dia em 207.190 pontos. As informações são da Agência Brasil.
Os números do dia
- Dólar: queda de 4,12%, a R$ 5,0022. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,95.
- Foi o menor valor de fechamento desde 21 de maio. No ano, a moeda acumula queda de 8,87%.
- Ibovespa: alta de 7,85%, a 207.190,44 pontos.
- Recorde durante o pregão: 209.605,70 pontos.
- Volume financeiro: R$ 97,58 bilhões, muito acima da média.
- O principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York (EWZ) subiu 12,57%.
Por que o mercado reagiu assim
A leitura predominante entre analistas foi a de que o resultado do primeiro turno, mais favorável à oposição do que indicavam as pesquisas, aumentou as chances de mudança na condução da política econômica. Parte dos investidores associa a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma agenda de corte de gastos, privatizações e menor intervenção do Estado, o que, na visão deles, abriria espaço para juros mais baixos.
Esse tipo de reação é conhecido no mercado como trade eleitoral: os investidores compram ativos que devem se beneficiar de um determinado resultado antes que ele se confirme.
O que isso tem a ver com imóveis
O dólar e a bolsa podem parecer distantes de quem quer comprar um apartamento, mas existe uma ligação direta:
- Dólar mais baixo reduz a pressão sobre a inflação, porque diminui o custo de produtos importados e de insumos da construção.
- Inflação menor abre espaço para o Banco Central cortar a Selic.
- Juros futuros mais baixos reduzem o custo de captação dos bancos e podem levar a taxas menores no crédito imobiliário.
- Bolsa em alta melhora o acesso das incorporadoras a recursos para novos lançamentos.
Além disso, as ações das incorporadoras estiveram entre as que mais subiram no dia, o que indica a expectativa de um ambiente melhor para o setor.
Cautela necessária
Movimentos tão fortes em um único dia costumam ser seguidos por ajustes. Analistas lembraram que o segundo turno ainda está indefinido e que o mercado pode voltar a oscilar conforme as pesquisas forem divulgadas. Também é cedo para afirmar que a queda do dólar e dos juros futuros vai se transformar rapidamente em financiamentos mais baratos.
Outro fator de atenção é o petróleo. O barril do tipo Brent era negociado acima de US$ 100, o que pressiona combustíveis e, por consequência, a inflação.
O câmbio e o custo da obra
O dólar tem influência direta sobre o custo da construção civil. Diversos insumos, como aço, cobre, alumínio, componentes elétricos, tubos e alguns acabamentos, têm preços ligados ao mercado internacional. Quando a moeda americana sobe, esses materiais ficam mais caros, e o custo é repassado ao preço dos imóveis, especialmente nos lançamentos.
Uma queda sustentada do dólar tende a aliviar essa pressão ao longo dos meses seguintes, o que ajuda as incorporadoras a preservar margens e a manter os preços de tabela. O efeito, porém, não é imediato: os contratos de fornecimento e o cronograma das obras fazem com que a mudança no câmbio leve algum tempo para chegar ao canteiro.
O que observar
- A volatilidade do câmbio e da bolsa até o segundo turno.
- Os juros futuros de longo prazo, principal referência para o crédito imobiliário.
- O fluxo de investidores estrangeiros na B3.
- As próximas projeções de inflação e Selic no boletim Focus.
