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Florianópolis projeta R$ 3,5 bilhões em obras, com nova marina e o prédio residencial mais alto da capital

Levantamento apresentado em evento da Exame Sul em 16 de outubro soma investimentos públicos e privados previstos para os próximos três anos, incluindo hotéis, requalificação do Centro e um edifício de 156 metros.

Florianópolis deve receber cerca de R$ 3,5 bilhões em investimentos públicos e privados nos próximos três anos, segundo levantamento atribuído à Exame Sul e divulgado pelo ND+ em 21 de outubro. Do total, aproximadamente R$ 2 bilhões são de infraestrutura pública e R$ 1,5 bilhão de projetos privados. Os números foram apresentados em evento realizado em 16 de outubro, com a presença do prefeito Topázio Neto e do presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, Carlos Leite.

A reportagem ressalta que os projetos estão em estágios diferentes. Ou seja, nem todo o valor está contratado ou em obras, e parte depende de aprovações e lançamentos futuros.

Prédio de 156 metros e nova marina

Entre os projetos privados, o destaque é o Monumental, da RBV Incorporadora, com lançamento previsto para o início de 2027. Com cerca de 156 metros de altura, deve se tornar o edifício residencial mais alto de Florianópolis. O projeto prevê uma praça pública e uma passagem de pedestres entre a Avenida Rio Branco e a Rua Dom Jaime Câmara, usando o instrumento de fruição pública previsto na legislação urbanística. O evento foi promovido pela Exame Sul e teve como anfitrião Gustavo Bulcão Viana, engenheiro civil e CEO da RBV.

Os demais investimentos privados listados são:

  • Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte: cerca de R$ 350 milhões em uma área de aproximadamente 440 mil metros quadrados, com obras iniciadas em julho, parque público, áreas de lazer e capacidade para mais de 600 embarcações
  • Hotel Vila Galé, no Sapiens Parque: R$ 200 milhões, 309 apartamentos e inauguração prevista para 2028
  • Hilton Garden Inn, perto do aeroporto: R$ 94 milhões, 288 apartamentos, espaços para eventos e coworking, também com abertura prevista para 2028

Concessões e requalificação do Centro

Na frente pública, o centro de convenções CentroSul foi concedido em setembro à DMDL, que venceu o leilão com oferta de R$ 31,5 milhões. O contrato de 35 anos exige R$ 53,4 milhões em investimentos.

A requalificação da Rua Bocaiúva tem início previsto para janeiro de 2027, com custo estimado de R$ 40 milhões, bancado por recursos de outorga onerosa ligados a dois empreendimentos privados: o Passeio Bocaiúva, da Casa Hurbana, e a Casa da Baronesa, da Dimas Construções. O projeto prevê calçadas mais largas, acessibilidade, travessias mais seguras, iluminação, paisagismo e retirada da fiação aérea.

O Centro também é alvo do estudo Floripa Centro, elaborado pelo escritório Gehl Architects e apresentado em março, com mais de 70 propostas. O estudo custou R$ 1,2 milhão, foi financiado pela ACIF e pela CDL, sem dinheiro público, e está em análise na prefeitura.

Economia da cidade sustenta a demanda

Os números de arrecadação ajudam a explicar o interesse dos investidores. A cidade deve arrecadar R$ 1 bilhão em ISS em 2026, contra R$ 401,9 milhões em 2021, crescimento nominal de cerca de 113% em quatro anos. O imposto responde por cerca de 25% da receita municipal. O setor de tecnologia movimentou cerca de R$ 14 bilhões em 2025, alta de 9,4%, segundo o Observatório ACATE 2026, o equivalente a cerca de 21% do PIB municipal. Só o Sapiens Parque reúne 158 instituições e mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

O que muda para o mercado imobiliário

Para corretores e investidores, obras de infraestrutura costumam antecipar valorização no entorno. A requalificação da Rua Bocaiúva e as propostas para o Centro podem reforçar a procura por imóveis na região central, enquanto os novos hotéis no Sapiens Parque e perto do aeroporto ampliam a rede de hospedagem e o turismo de negócios e eventos.

A própria reportagem, porém, aponta os desafios: o crescimento deve pressionar mobilidade, saneamento, drenagem e moradia, e a valorização imobiliária pode afastar famílias das áreas centrais. Para quem compra para morar, isso significa ficar atento ao cronograma real das obras e não apenas aos anúncios. Para quem vende, os projetos podem servir como argumento, desde que apresentados com a fase em que realmente estão.

O que observar

  • A data efetiva de lançamento do Monumental, prevista para o início de 2027.
  • O início das obras na Rua Bocaiúva, marcado para janeiro de 2027.
  • O andamento da marina da Beira-Mar Norte, já em obras desde julho.
  • Quais propostas do estudo Floripa Centro serão adotadas pela prefeitura.

Fonte: ND+

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