O governador Jorginho Mello (PL) foi reeleito no primeiro turno em Santa Catarina, com 68,98% dos votos válidos. O segundo colocado, Gelson Merísio (PSB), ficou com 15,66%. Com o resultado, o estado terá continuidade administrativa pelos próximos quatro anos, um fator considerado positivo por empresários do setor imobiliário e da construção civil.
Por que a eleição estadual importa para o mercado
Embora a política habitacional e de crédito seja definida principalmente em Brasília, os governos estaduais têm influência direta sobre vários temas que afetam o mercado imobiliário:
- Infraestrutura: rodovias, saneamento, mobilidade urbana e obras que valorizam regiões.
- Licenciamento ambiental: Santa Catarina tem grande parte de sua costa sujeita a regras ambientais, e a agilidade nos processos influencia os lançamentos.
- Programas habitacionais estaduais, que complementam o Minha Casa, Minha Vida.
- Segurança pública, um dos fatores que atraem famílias de outros estados.
- ITCMD, o imposto sobre heranças e doações, que é estadual e afeta o planejamento patrimonial.
Um estado que atrai compradores
Santa Catarina se consolidou nos últimos anos como um dos principais destinos de quem busca qualidade de vida e investimento imobiliário. Cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo, Itajaí e Joinville registram valorização acima da média nacional e forte procura por imóveis de médio e alto padrão.
Parte dessa demanda vem de famílias que se mudam de outros estados, atraídas por indicadores de segurança, educação e emprego. Outra parte vem de investidores que compram para alugar por temporada, aproveitando o fluxo turístico do verão.
O efeito da continuidade
Para incorporadoras e investidores, a reeleição do governador reduz a incerteza sobre as regras estaduais. Projetos que dependem de licenças e de obras de infraestrutura tendem a seguir o cronograma previsto, sem mudanças bruscas de orientação.
O resultado estadual também reforça a leitura de que o eleitorado catarinense está alinhado à direita, o que se refletiu na votação para presidente. Esse alinhamento é um dos motivos pelos quais analistas regionais esperam uma reação rápida do mercado local caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.
Desafios para o próximo mandato
O crescimento acelerado também trouxe desafios que devem estar na agenda do governo estadual:
- Saneamento básico, especialmente nas cidades do litoral que recebem milhões de turistas no verão.
- Mobilidade, com congestionamentos frequentes na BR-101 e nas vias de acesso às praias.
- Custo de moradia para trabalhadores locais, que enfrentam preços de aluguel cada vez mais altos.
- Ocupação ordenada do solo em áreas de preservação.
A força do interior catarinense
Embora o litoral concentre as manchetes, o interior de Santa Catarina também tem mercados imobiliários dinâmicos. Cidades como Joinville, Blumenau, Chapecó, Criciúma e Jaraguá do Sul combinam indústria forte, emprego e crescimento populacional, o que sustenta a demanda por moradia em diferentes faixas de preço.
Nessas cidades, o Minha Casa, Minha Vida tem papel relevante, e a política habitacional estadual pode complementar o programa federal com contrapartidas e infraestrutura. A continuidade da gestão estadual tende a dar mais previsibilidade aos projetos de loteamentos e condomínios que dependem de obras de acesso e saneamento.
Aluguel de temporada e regras locais
O aluguel por temporada é uma das principais fontes de renda para quem investe no litoral catarinense. O tema ganhou destaque nacional em 2026, com decisões judiciais e projetos de lei sobre o direito dos condomínios de restringir locações de curta duração. Para os investidores da região, acompanhar essas regras é tão importante quanto acompanhar a política estadual, já que elas afetam diretamente a rentabilidade dos imóveis.
O que observar
- O plano de obras de infraestrutura do segundo mandato.
- Os prazos de licenciamento ambiental para novos empreendimentos.
- O comportamento dos preços no litoral norte nos meses de verão.
- O resultado do segundo turno presidencial e o alinhamento entre governo estadual e federal.
