Os investidores estrangeiros colocaram R$ 12,61 bilhões na bolsa brasileira nos quatro primeiros pregões de outubro, segundo levantamento da Elos Ayta citado pelo jornal O Tempo. É o maior volume de entrada desde fevereiro, quando o saldo do mês foi de R$ 15,40 bilhões. O movimento coincide com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.
O histórico recente
- Agosto: saída de R$ 18,12 bilhões.
- Setembro: entrada de R$ 8,78 bilhões.
- Outubro, até o dia 6: entrada de R$ 12,61 bilhões.
A virada é significativa. Em agosto, os estrangeiros retiraram dinheiro da bolsa em meio às incertezas fiscais e políticas. A partir de setembro, o fluxo voltou a ser positivo e ganhou força após o primeiro turno.
Nem tudo é eleição
A reportagem pondera que nem todo o volume pode ser atribuído à eleição. O cenário internacional, as expectativas para os juros nos Estados Unidos e o comportamento de outros mercados emergentes também influenciam as decisões dos investidores estrangeiros.
Ainda assim, o resultado do primeiro turno foi visto por muitos investidores internacionais como um sinal de possível mudança na política econômica brasileira, com mais foco no ajuste fiscal e nas privatizações.
Por que o dinheiro estrangeiro importa
A entrada de recursos estrangeiros tem vários efeitos sobre a economia:
- Ajuda a valorizar o real, o que reduz a pressão sobre a inflação.
- Contribui para a queda dos juros futuros, porque aumenta a demanda por ativos brasileiros.
- Facilita a captação de recursos pelas empresas, incluindo as incorporadoras.
- Sustenta a alta da bolsa, o que melhora a confiança de investidores locais.
A relação com o mercado imobiliário
O fluxo estrangeiro chega ao mercado imobiliário por diferentes caminhos. As ações das incorporadoras estão entre as preferidas dos investidores que apostam na queda dos juros. Fundos internacionais também investem em fundos imobiliários brasileiros e em projetos de logística, escritórios e shoppings.
Além disso, um dólar mais baixo reduz o custo de alguns insumos da construção que têm preço influenciado pelo câmbio, como aço, cobre e componentes elétricos, o que pode aliviar o custo das obras.
Fluxo volátil
O dinheiro estrangeiro costuma entrar e sair rapidamente. Se as pesquisas de segundo turno mudarem o cenário, ou se houver turbulência no exterior, parte desse fluxo pode deixar o país. Por isso, os analistas recomendam cautela antes de considerar que a tendência está consolidada.
O investidor estrangeiro no imóvel físico
Além da bolsa, investidores estrangeiros também compram imóveis físicos no Brasil, principalmente por meio de fundos e empresas. Os segmentos mais procurados costumam ser galpões logísticos, escritórios de alto padrão, shoppings, hotéis e projetos de moradia para aluguel. Nas regiões turísticas, há também compradores pessoas físicas de outros países, especialmente no Nordeste e em Santa Catarina.
Um real mais valorizado deixa o imóvel brasileiro um pouco mais caro para o estrangeiro, mas a percepção de menor risco político e econômico pode compensar esse efeito. Por isso, a estabilidade após a eleição tende a ser mais importante do que o nível do câmbio para atrair esse tipo de investimento.
Comparação com outros emergentes
O movimento também deve ser lido em comparação com outros mercados emergentes, como México, Índia e África do Sul. Quando o Brasil se torna relativamente mais atrativo, recebe uma fatia maior dos recursos destinados a esses países.
O que observar
- O saldo diário de investimento estrangeiro na B3, divulgado pela própria bolsa.
- O comportamento do dólar até o segundo turno.
- As ações de incorporadoras, sensíveis ao fluxo internacional.
- O cenário de juros nos Estados Unidos, que influencia o apetite por mercados emergentes.
