O litoral norte de Santa Catarina, uma das regiões mais valorizadas do mercado imobiliário brasileiro, entrou em modo de espera depois do primeiro turno. Em artigo de opinião publicado no portal ND+ em 5 de outubro, o especialista Guilherme Pilger descreveu um mercado com demanda presente, mas com muitos compradores aguardando o resultado de 25 de outubro para tomar decisões.
Uma região que depende do investidor
Cidades como Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo e a Praia Brava, em Itajaí, têm uma característica particular: grande parte dos compradores não mora na cidade. São investidores e famílias de outros estados, especialmente do Paraná, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Centro-Oeste, que compram imóveis de alto padrão como segunda residência, para aluguel por temporada ou como reserva de patrimônio.
Esse perfil de comprador é especialmente sensível ao cenário econômico e político. Decisões de investimento de alto valor costumam ser adiadas quando há incerteza sobre juros, impostos e regras de mercado.
Reação rápida em caso de vitória da oposição
Na avaliação de Pilger, o resultado do segundo turno pode destravar negócios rapidamente. “Se Flávio Bolsonaro vencer, minha leitura é que podemos ter uma reação relativamente rápida do mercado”, escreveu. A expectativa se apoia no perfil do eleitorado catarinense, majoritariamente alinhado à direita, e na percepção de parte dos investidores de que uma mudança de governo traria juros mais baixos.
Trata-se de uma leitura de mercado, não de uma previsão garantida. Mesmo em caso de vitória de Lula, os fundamentos da região, como escassez de terrenos, alta renda dos compradores e atratividade turística, continuam presentes.
Os números da região
O litoral norte catarinense concentra alguns dos metros quadrados mais caros do país. Itapema, Balneário Camboriú e Porto Belo aparecem com frequência no topo dos rankings de preço do Índice FipeZAP e dos levantamentos de vendas de imóveis novos. Em 2026, Porto Belo chegou a liderar as vendas de imóveis novos no Sul, com movimentação bilionária no primeiro semestre.
O que está em jogo para o comprador
Quem pretende comprar na região neste período encontra duas situações:
- Compradores que já decidiram têm mais poder de negociação, já que parte da concorrência está esperando.
- Incorporadoras com lançamentos previstos para o fim do ano podem ajustar o cronograma de acordo com o resultado da eleição.
- Imóveis prontos e de revenda tendem a ter mais margem para desconto do que lançamentos.
Cenário político local
O ambiente político estadual também ajuda a explicar a confiança dos investidores. O governador Jorginho Mello (PL) foi reeleito no primeiro turno com ampla margem, o que garante continuidade da gestão estadual nos próximos quatro anos.
O comprador de outros estados
Uma parte importante da demanda do litoral catarinense vem de famílias que pretendem se mudar no médio prazo, e não apenas de investidores. Empresários, profissionais liberais e aposentados do Paraná, de São Paulo e do Centro-Oeste compram imóveis pensando em trocar de cidade nos próximos anos, atraídos por segurança e qualidade de vida.
Esse comprador costuma visitar a região várias vezes antes de fechar negócio e valoriza muito o atendimento de corretores que conhecem bem os bairros, as incorporadoras e as regras locais. Em períodos de espera, como o atual, manter o relacionamento com esses clientes é uma forma de garantir negócios quando o cenário ficar mais claro.
O que observar
- O volume de visitas e propostas nas imobiliárias da região nas semanas após 25 de outubro.
- Os lançamentos previstos para o verão, temporada mais forte para as vendas no litoral.
- A evolução do preço do metro quadrado em Itapema, Balneário Camboriú e Porto Belo.
- A procura por imóveis para aluguel de temporada, que sustenta a rentabilidade do investidor.
