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Juros e CréditoNa planta

Medo de financiar por 30 anos: quase metade dos brasileiros se sente insegura com crédito longo

Pesquisa da Loft mostra que a insegurança é maior nas classes D e E e varia conforme a posição política do entrevistado.

Assumir uma dívida de 20 ou 30 anos nunca é uma decisão simples, e o ano eleitoral tornou essa escolha ainda mais difícil para muitas famílias. Segundo a sétima onda da pesquisa da Loft sobre o comportamento do comprador de imóveis, divulgada em setembro pelo portal Portas, 48% dos brasileiros se dizem inseguros em assumir um financiamento imobiliário de longo prazo no cenário atual.

Quem tem mais medo

A insegurança não é igual em todos os grupos:

  • Nas classes D e E, o percentual de inseguros sobe para 57%.
  • Entre os entrevistados que se identificam com a direita, 54% dizem estar inseguros.
  • Entre os que se identificam com a esquerda, o índice cai para 32%.

A diferença entre os grupos políticos chama a atenção. Uma interpretação possível é que a percepção de risco está ligada à avaliação que cada pessoa faz do governo atual e das perspectivas econômicas. Quem desconfia da condução da economia tende a ter mais receio de assumir compromissos de longo prazo antes de saber quem vai governar o país.

Imóvel como sonho, financiamento como receio

A pesquisa também mostra que o imóvel continua sendo o principal objetivo de consumo de quem pretende gastar mais nos próximos meses. Entre os entrevistados que esperam reduzir gastos por causa da eleição, 65% citam justamente a compra do imóvel como a decisão que pode ser adiada.

Esse é o paradoxo do momento: as pessoas querem comprar, mas têm medo de se endividar enquanto o cenário político e de juros não fica claro.

De onde vem a insegurança

Alguns fatores explicam o receio com o financiamento:

  • Juros altos: com taxas acima de 11% ao ano mais TR nos grandes bancos, a parcela fica pesada e o custo total do imóvel pode dobrar ao longo do contrato.
  • Incerteza sobre a renda: mesmo com desemprego baixo, muitas famílias temem perder o emprego ou ter redução de renda nos próximos anos.
  • Endividamento: parte das famílias já compromete uma fatia relevante da renda com outras dívidas, como cartão de crédito e empréstimos.
  • Política: a dúvida sobre os rumos da economia após a eleição aumenta a percepção de risco.

Como reduzir o risco do financiamento

Especialistas em crédito imobiliário costumam recomendar alguns cuidados para quem quer comprar, mas tem receio da dívida longa:

  • Dar uma entrada maior para reduzir o valor financiado.
  • Escolher um prazo que mantenha a parcela abaixo de 30% da renda, com folga.
  • Manter uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses de parcelas.
  • Comparar o sistema de amortização: na tabela SAC, as parcelas começam mais altas e diminuem ao longo do tempo.
  • Fazer amortizações extras sempre que possível, inclusive com o FGTS, para reduzir o prazo e os juros.
  • Acompanhar o mercado para pedir a portabilidade caso as taxas caiam no futuro.

O papel do corretor

Diante de um cliente inseguro, o corretor pode ajudar mostrando simulações reais, com diferentes cenários de entrada, prazo e taxa. Explicar que o financiamento pode ser amortizado antecipadamente e transferido para outro banco ajuda a reduzir o medo de ficar preso a uma dívida cara por décadas.

Alternativas ao financiamento tradicional

Para quem tem receio de assumir um financiamento longo, há alternativas que podem ser consideradas, cada uma com prós e contras. O consórcio imobiliário não cobra juros, mas tem taxa de administração e não garante a data da contemplação. O financiamento direto com a incorporadora, comum em imóveis na planta, permite pagar parte do valor durante a obra, mas costuma ter correção pelo INCC e, após a entrega, juros próprios. A compra de um imóvel de menor valor, com a intenção de trocar no futuro, reduz o tamanho da dívida.

Não existe uma solução única. O mais importante é que a escolha caiba no orçamento com folga e esteja alinhada aos planos da família para os próximos anos.

O que observar

  • A próxima onda da pesquisa da Loft, que vai captar o humor após a eleição.
  • A evolução das taxas de financiamento nos grandes bancos.
  • O comportamento do emprego e da renda, que sustentam a capacidade de pagamento.

Fonte: Portas / Loft

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