As duas maiores incorporadoras de imóveis econômicos do país abriram a temporada de prévias do terceiro trimestre de 2026 com números fortes. A MRV&Co informou em 8 de outubro vendas líquidas de R$ 3,04 bilhões entre julho e setembro, alta de 29,6% em um ano e recorde para um terceiro trimestre. No mesmo dia, a Cury reportou vendas de R$ 1,8 bilhão, alta de 10,7%, e geração de caixa de R$ 253,6 milhões, o 30º trimestre seguido no positivo.
MRV: vendas fortes, repasses atrasados
A MRV vendeu 11.015 unidades no trimestre, 25,7% a mais que um ano antes, com preço médio de R$ 276 mil, alta de 3,1%. Os lançamentos somaram R$ 2,64 bilhões, avanço de 12,4%. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas cresceram 15,2%.
A geração de caixa do grupo chegou a R$ 456 milhões, revertendo a queima de R$ 23,4 milhões do terceiro trimestre de 2025, com ajuda de vendas de ativos da Resia e da Luggo, outras empresas do grupo. Na incorporação, porém, o caixa ficou praticamente estável. A greve dos funcionários da Caixa reduziu os repasses de financiamentos, com impacto estimado de R$ 80 milhões na geração de caixa. Segundo a XP, os repasses caíram 24,2% em relação ao segundo trimestre, para 7,4 mil unidades.
O diretor de relações com investidores da MRV&Co, Augusto Andrade, afirmou que “o principal impacto não foi nas vendas, mas sim nos repasses” e que os investimentos em estrutura comercial e tecnologia “estão começando a dar frutos”. A empresa diz receber mais de 100 mil leads por mês.
Cury: lançamentos e banco de terrenos maiores
A Cury lançou oito empreendimentos no trimestre, com 6.503 unidades e VGV de R$ 2,12 bilhões, alta de 6,9%. O preço médio dos lançamentos subiu 12%, para R$ 326,5 mil. A velocidade de vendas líquida ficou em 39,7%, recuo de 0,9 ponto percentual. Segundo a XP, os distratos subiram 59,3%, para R$ 358,2 milhões, o equivalente a 15% das vendas brutas.
O estoque da Cury terminou setembro com 7.956 unidades, avaliadas em R$ 3,10 bilhões, das quais 98% ainda em obras. O banco de terrenos chegou a R$ 26,11 bilhões em VGV potencial, alta de 11,8%, com cerca de 77% em São Paulo e o restante no Rio de Janeiro.
Tenda e reação da bolsa
A Tenda também divulgou sua prévia: lançou R$ 1,52 bilhão, alta de 2,3%, e vendeu R$ 1,2 bilhão em termos líquidos, alta de 10,5%, mas os distratos mais que dobraram, para R$ 292,8 milhões. Em 9 de outubro, as ações reagiram em alta: por volta das 10h30, MRV subia 6%, Tenda 4,3% e Cury 3,6%.
O Bradesco BBI chamou a prévia da MRV de positiva, com vendas recordes, mas ponderou que a geração de caixa abaixo do esperado pode atrasar a recuperação da confiança dos investidores. O Safra classificou os números da Cury como “sólidos e ligeiramente acima das estimativas”. O BTG Pactual considerou os dados da Tenda “fracos, como esperado”.
O que significa para o mercado
Os números confirmam que a habitação econômica segue como motor das vendas de imóveis novos no país, mesmo com juros altos, porque depende do crédito com recursos do FGTS e de subsídios do Minha Casa, Minha Vida. Para o comprador, isso significa oferta ampla de projetos dentro dos tetos do programa, mas também análise de crédito mais demorada na Caixa.
Para o corretor, o atraso nos repasses mostra que fechar a venda é só a primeira etapa: acompanhar a documentação até a assinatura do financiamento faz diferença no prazo de recebimento e reduz o risco de distrato. Para o investidor, a diferença entre vendas fortes e caixa pressionado será o ponto central dos balanços completos.
O que observar
- Os balanços completos do terceiro trimestre, em novembro, com margens e geração de caixa detalhadas.
- A normalização dos repasses da Caixa após o fim da greve, em 29 de setembro.
- A evolução dos distratos, que subiram na Cury e na Tenda.
- O avanço dos lançamentos econômicos em São Paulo, onde está a maior parte do banco de terrenos da Cury.
