A cidade de São Paulo vendeu 10.813 imóveis residenciais novos em agosto de 2026, alta de 36,9% em relação às 7.897 unidades de agosto de 2025, segundo a Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, divulgada em 15 de outubro. No mesmo mês, porém, os lançamentos chegaram a 17.797 unidades, mais que o dobro das 8.354 de um ano antes, e a oferta disponível para venda subiu para 98.018 unidades, alta de 50,7% em 12 meses.
O Valor Global de Vendas (VGV) de agosto somou R$ 4,74 bilhões, queda de 12,8% na comparação anual, com valores corrigidos pelo INCC-DI. A diferença entre o número de unidades em alta e o valor em queda mostra que o mercado vendeu mais imóveis, mas de tíquete menor.
O peso do Minha Casa, Minha Vida
O programa habitacional segue no centro da capital paulista. Das unidades vendidas em agosto, 7.707 (71%) foram enquadradas no Minha Casa, Minha Vida. Nos lançamentos, a fatia foi ainda maior: 13.649 unidades, ou 77% do total, o maior volume mensal do segmento econômico na série, segundo análise do Safra sobre os dados.
As faixas de preço confirmam o perfil:
- até R$ 275 mil: 3.063 unidades vendidas (28%);
- de R$ 275 mil a R$ 400 mil: 5.649 unidades (52%);
- acima de R$ 400 mil: 19,4% das vendas.
Os imóveis de dois dormitórios responderam por 7.365 vendas (68%). Os de três e quatro ou mais dormitórios somaram apenas 400 unidades, mas representaram cerca de R$ 1,07 bilhão em VGV, ou 22,5% do valor vendido.
Oferta recorde e venda mais lenta
O crescimento da oferta é o ponto de atenção da pesquisa. O Valor Global da Oferta chegou a R$ 70,6 bilhões, ante R$ 54,8 bilhões em agosto de 2025. Do estoque total, 59,1 mil unidades (60%) são do Minha Casa, Minha Vida. Em relação à fase de obra, 52% estão em construção, 47% na planta e apenas 1% pronto.
Segundo a análise do Safra, a velocidade de vendas sobre a oferta (VSO) de agosto ficou em 9,9%, recuo de 0,9 ponto percentual em um ano, e o tempo estimado para escoar o estoque subiu de 7,1 para 9,7 meses. No segmento econômico, o prazo foi de 6,3 para 8,4 meses. No médio e alto padrão, chegou a 12,8 meses.
Ainda assim, o médio e alto padrão mostrou reação no mês: foram 3,1 mil unidades vendidas, queda de 3% em um ano, mas alta de 27% sobre julho, com VSO de 7,4%. A faixa de R$ 401 mil a R$ 1 milhão teve o melhor desempenho, enquanto imóveis acima de R$ 2,25 milhões venderam com mais dificuldade.
Doze meses em alta
No acumulado de setembro de 2025 a agosto de 2026, a capital vendeu 121.064 unidades, alta de 10,2%. O VGV do período foi de R$ 60,20 bilhões, queda de 4,4%. Os lançamentos em 12 meses somaram 154.769 unidades, avanço de 25%. De janeiro a agosto, foram 91.361 unidades lançadas.
O que significa para o mercado
Para o comprador, um estoque recorde amplia o poder de negociação, sobretudo em empreendimentos de médio e alto padrão, onde o prazo de venda é mais longo. Condições como desconto à vista, ajuste no fluxo de pagamento durante a obra e bônus de entrada tendem a ficar mais frequentes quando a incorporadora precisa girar unidades.
Para o investidor, o volume de lançamentos econômicos na mesma região pode limitar a valorização de curto prazo de unidades compactas e dificultar a revenda antes da entrega. Para o corretor, o cenário pede seleção de produto: imóveis com boa localização, perto de transporte e com preço dentro dos tetos do programa habitacional continuam girando mais rápido.
Para o mercado de Santa Catarina, o dado paulista serve de termômetro. As grandes incorporadoras listadas concentram boa parte dos lançamentos em São Paulo, e um estoque crescente na capital pode levar empresas a calibrar o ritmo de novos projetos em outras praças.
O que observar
- Os dados de setembro do Secovi-SP, que mostrarão se o ritmo de lançamentos econômicos continua acima das vendas.
- A evolução do prazo de escoamento do médio e alto padrão, hoje em 12,8 meses.
- O efeito da greve da Caixa, entre 10 e 29 de setembro, sobre as vendas do Minha Casa, Minha Vida.
- Eventuais promoções e descontos das incorporadoras para reduzir estoques no fim do ano.
