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O mercado imobiliário não espera: por que a eleição não deve travar o setor

Intenção de compra recorde e vendas em alta indicam que o mercado já precificou o cenário eleitoral.

Às vésperas do primeiro turno, uma pergunta circulava entre incorporadores, corretores e compradores: a eleição vai parar o mercado imobiliário? Para o colunista Christiano de Souza Pereira, que escreve sobre o setor no jornal A Gazeta, do Espírito Santo, a resposta é não. Em artigo publicado em 2 de outubro, ele reuniu dados que mostram um mercado ativo, com demanda firme, mesmo em meio à disputa política.

Os dados que sustentam a tese

O principal argumento vem da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, segundo a qual 52% dos brasileiros tinham intenção de comprar um imóvel em junho de 2026. É o maior percentual da série histórica iniciada em 2019, bem acima da média de 43%.

Os números de vendas confirmam o apetite. Segundo levantamento nacional, foram cerca de 226 mil unidades negociadas no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja, mesmo com Selic acima de 13% e crédito caro, o mercado vendeu mais.

O mercado já precificou a eleição

Na avaliação do colunista, “o mercado já havia precificado a eleição”. Isso significa que incorporadoras, bancos e investidores já tinham incorporado aos seus planos a possibilidade de diferentes resultados. Os lançamentos foram ajustados, as condições de financiamento foram calibradas e os compradores mais decididos seguiram em frente.

Esse comportamento é diferente do que se via em eleições passadas, quando o setor costumava desacelerar de forma mais intensa nos meses de campanha. Entre os motivos estão a força do Minha Casa, Minha Vida, que responde por mais da metade dos lançamentos, e a demanda reprimida de famílias que adiaram a compra nos anos de juros mais altos.

Os fatores que pesam mais que a eleição

Para quem decide comprar um imóvel, alguns fatores costumam ser mais determinantes do que o calendário político:

  • Necessidade de moradia: casamento, filhos, mudança de cidade ou saída do aluguel.
  • Capacidade de pagamento: renda estável e parcela compatível com o orçamento.
  • Condições de crédito: taxa de juros, prazo e valor de entrada.
  • Oportunidade: preço abaixo do mercado ou condição especial de pagamento.

A eleição pode influenciar o momento da decisão, mas raramente muda esses fatores de forma imediata.

O lado do investidor

Para quem compra para investir, o raciocínio é diferente. O investidor costuma olhar para a expectativa de valorização e para a rentabilidade do aluguel em comparação com outros investimentos, como a renda fixa. Com a Selic alta, a renda fixa compete fortemente com o imóvel. Por isso, a perspectiva de queda dos juros é um fator importante: quando ela se confirma, o imóvel tende a ficar relativamente mais atrativo.

Nesse ponto, a eleição tem papel relevante, porque o resultado influencia a percepção sobre as contas públicas e, por consequência, o ritmo de queda dos juros.

Diferenças em relação a eleições passadas

Em ciclos eleitorais anteriores, o mercado imobiliário costumava sentir a incerteza com mais intensidade. Em 2014 e 2018, por exemplo, o setor vinha de períodos de crise ou de recuperação lenta, com estoques elevados e confiança baixa. Em 2022, o mercado ainda absorvia o forte aumento da Selic iniciado no ano anterior.

Em 2026, o cenário é diferente em alguns pontos importantes: desemprego nas mínimas históricas, programa habitacional com regras recentes e orçamento robusto do FGTS, e a perspectiva de queda dos juros já em andamento. Esses fatores ajudam a explicar por que as vendas continuaram crescendo mesmo durante a campanha.

O que observar

  • Os dados de vendas do terceiro trimestre, que vão mostrar o efeito real do período eleitoral.
  • A reação dos juros futuros depois do resultado das urnas.
  • A próxima edição da pesquisa de intenção de compra da Brain.
  • As condições de financiamento oferecidas pelos bancos no último trimestre do ano.

Fonte: A Gazeta

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