A Abecip projeta R$ 411 bilhões em crédito imobiliário em 2026, um recorde, com alta de 25% sobre 2025. O número chama atenção porque acontece com a Selic em 14% ao ano.
A explicação está na composição: o SBPE deve contribuir com R$ 185 bilhões (alta de 18%), enquanto FGTS e Fundo Social devem somar R$ 195 bilhões (alta de 38%). Os recursos livres ficam estáveis em R$ 31 bilhões. Ou seja, boa parte do crescimento vem de fontes com juros subsidiados, ligadas ao Minha Casa, Minha Vida.
No SBPE, o crédito à produção cresceu 107% no primeiro semestre (R$ 26,5 bilhões), enquanto a aquisição subiu só 12% (R$ 67,2 bilhões). Nas vendas, o médio e alto padrão recuaram 3,2%, enquanto o MCMV avançou 15,5% no trimestre.
Pontos de atenção
Especialistas alertam para o endividamento das famílias, com alimentação, energia e moradia disputando a renda. Para 2027, a continuidade do crescimento depende da queda dos juros longos e de melhora fiscal; se os bancos ficarem mais restritivos, há risco de sobreoferta em alguns mercados.
