O pró-soluto — parte do valor do imóvel financiada diretamente pela incorporadora, geralmente para completar a entrada — vem ganhando peso nas vendas do Minha Casa, Minha Vida e preocupa analistas.
Na Plano&Plano, o pró-soluto representou de 7% a 8% das vendas nos últimos três anos e pode chegar a 12% em 2026, com carteira de R$ 696 milhões em junho. O saldo antes da entrega das chaves subiu 53%, para R$ 418 milhões, e o pós-chaves avançou 20%, para R$ 278 milhões. Na Tenda, o pró-soluto pós-chaves passou de 6,6% para 9,9% do VGV entre o segundo trimestre de 2025 e o de 2026, e os atrasos acima de 90 dias cresceram 46%. A MRV seguiu outro caminho e reduziu os saldos: o pós-chaves caiu 0,5% (R$ 1,96 bilhão) e o pré-chaves, 10% (R$ 1,67 bilhão).
O risco maior está depois da entrega, porque nesse momento o crédito não tem mais a garantia da unidade. O Santander avalia que uma seleção mais rigorosa dos compradores vai exigir um funil de vendas maior para manter o mesmo volume.
Por que é difícil abrir mão
Para muitos clientes do programa, sem o pró-soluto não há como completar a entrada. Analistas consideram difícil o setor abandonar a prática, mas esperam mais critério na concessão.
