O segundo semestre de 2026 pode ser um bom momento para quem planeja comprar um imóvel. A avaliação é do Registro de Imóveis do Brasil, seção Minas Gerais (RIB-MG), que publicou em setembro uma análise sobre o mercado. Segundo a entidade, a combinação entre o início da queda da Selic, o novo modelo de crédito imobiliário e o estoque elevado das incorporadoras cria condições para negociações mais vantajosas.
O novo modelo de crédito
Um dos pontos destacados é o novo modelo de financiamento habitacional, que redireciona parte dos recursos captados pelos bancos para o crédito imobiliário. A estimativa citada é de cerca de R$ 37 bilhões em recursos adicionais, suficientes para financiar aproximadamente 50 mil unidades.
O modelo foi criado para compensar a perda de força da caderneta de poupança, que historicamente foi a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário com taxas de mercado. Com a saída de dinheiro da poupança nos últimos anos, os bancos passaram a ter menos recursos baratos para emprestar, e as taxas subiram.
Juros começam a cair
Em setembro, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. O ciclo de queda começou em março, quando a taxa estava em 15%. Embora os cortes sejam graduais, eles sinalizam que o pico dos juros ficou para trás.
Para quem financia, o efeito não é imediato. Os bancos ajustam suas tabelas aos poucos, de acordo com o custo de captação e com a expectativa para os juros futuros. Ainda assim, a tendência de queda melhora as condições de negociação e pode abrir espaço para portabilidade de financiamentos antigos.
Estoque elevado favorece o comprador
O mercado brasileiro teve 453 mil lançamentos em 2025, um volume elevado. Parte desses imóveis ainda está em estoque, o que aumenta a disposição de incorporadoras e vendedores para negociar preço, entrada e prazo. Em um cenário de demanda cautelosa por causa da eleição, quem está pronto para comprar tende a ter mais poder de barganha.
Por que o momento pode ser favorável
- Preços ainda contidos em muitas regiões, com alta próxima da inflação.
- Expectativa de juros menores nos próximos anos, o que valoriza imóveis comprados agora.
- Incorporadoras com metas de vendas e estoque a girar.
- Novas fontes de recursos para o crédito habitacional.
Cuidados antes de fechar negócio
Uma janela de oportunidade não elimina a necessidade de planejamento. Especialistas recomendam:
- Simular o financiamento em mais de um banco e comparar o custo efetivo total, não apenas a taxa nominal.
- Manter a parcela abaixo de 30% da renda familiar.
- Conferir a matrícula do imóvel e as certidões do vendedor no cartório de registro.
- Para imóveis na planta, verificar o registro da incorporação e o patrimônio de afetação.
Como aproveitar a janela sem correr riscos
Janela de oportunidade não significa pressa. O comprador que quer aproveitar o momento costuma ter mais sucesso quando chega preparado: com o crédito pré-aprovado em pelo menos um banco, a documentação pessoal organizada e uma ideia clara do valor máximo que pode pagar. Com isso em mãos, a negociação fica mais objetiva e o vendedor percebe que a proposta é séria.
Também vale olhar além do lançamento. Imóveis prontos em estoque de incorporadoras, unidades de revenda e imóveis de leilão costumam ter mais margem de negociação em períodos de demanda cautelosa. Em todos os casos, o corretor tem papel central para identificar oportunidades reais, conferir a documentação e evitar armadilhas, como dívidas de condomínio e IPTU pendentes ou problemas na matrícula.
O que observar
- As próximas decisões do Copom, especialmente a de novembro.
- A evolução das tabelas de juros dos grandes bancos.
- A liberação dos recursos do novo modelo de crédito pelos bancos.
- O comportamento dos preços nas cidades onde você pretende comprar.
