Com a Selic em 13,75% ao ano depois de cinco cortes consecutivos, a pergunta que mais interessa a quem pretende financiar um imóvel é se a queda dos juros vai acelerar após a eleição. Reportagem da Forbes Brasil publicada em 6 de outubro ouviu economistas e gestores sobre o tema. A resposta predominante: os cortes devem continuar, mas o ritmo vai depender da política fiscal do próximo governo.
As projeções
O boletim Focus, que reúne as estimativas de instituições financeiras, apontava:
- Selic no fim de 2026: 13,50%.
- Selic no fim de 2027: 12%.
- IPCA em 2026: 5,01%.
- IPCA acumulado em 12 meses no momento da reportagem: 4,22%.
Ou seja, o mercado espera mais um corte de 0,25 ponto ainda em 2026 e uma queda de mais 1,5 ponto ao longo de 2027.
O que dizem os especialistas
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, espera um corte de 0,25 ponto na reunião de novembro. Para ela, a velocidade dos cortes no próximo ano vai depender da “atitude fiscal” do governo eleito. Se houver sinais claros de controle de gastos, o Banco Central terá mais espaço para reduzir os juros.
Rafael Cardoso, economista do Daycoval, observou que o mercado de juros futuros já precificava um corte de cerca de 0,30 ponto em novembro.
Thomas Haugaard, da Janus Henderson, gestora internacional, avaliou o cenário do ponto de vista do investidor estrangeiro, que acompanha de perto a eleição brasileira. Alberto Friggi também foi ouvido sobre as perspectivas para a renda fixa.
A eleição e os juros
Segundo a reportagem, os mercados de previsão atribuíam mais de 80% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro após o primeiro turno. Essa percepção ajudou a derrubar os juros futuros, porque parte do mercado associa o candidato a uma agenda de corte de despesas.
Mas os economistas lembram que a Selic é decidida pelo Banco Central com base na inflação e nas expectativas. Mesmo com um governo comprometido com o ajuste fiscal, a inflação acima da meta limita a velocidade dos cortes.
O que isso significa para o financiamento imobiliário
Para o comprador, a mensagem é de paciência:
- A tendência é de queda gradual dos juros, não de uma redução brusca.
- As taxas dos bancos devem acompanhar a queda com alguma defasagem.
- Quem financiar agora poderá, no futuro, usar a portabilidade para buscar uma taxa menor.
- Esperar a Selic cair muito pode significar enfrentar preços de imóveis mais altos, já que a demanda tende a crescer com o crédito mais barato.
Quanto a queda dos juros pode mudar a parcela
Para ter uma ideia do efeito da queda dos juros no bolso, vale lembrar que cada ponto percentual a menos na taxa anual de um financiamento de longo prazo reduz a parcela inicial de forma relevante e diminui bastante o total de juros pago ao longo do contrato. Em financiamentos de valor mais alto, típicos do médio e alto padrão, a diferença pode chegar a dezenas de milhares de reais.
Mas a redução das taxas do crédito imobiliário costuma ser menor do que a queda da Selic. Os bancos consideram o custo de captação de longo prazo, o risco de inadimplência e a concorrência. Por isso, a expectativa realista para 2027 é de taxas um pouco menores, e não de uma volta aos patamares mínimos de 2020 e 2021.
O que observar
- A decisão do Copom em novembro e o tom do comunicado.
- As primeiras sinalizações fiscais do presidente eleito.
- As projeções de inflação para 2027 no boletim Focus.
- As tabelas de juros dos grandes bancos no início de 2027.
