O mercado imobiliário brasileiro vendeu mais e lançou menos no segundo trimestre de 2026. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), feito em parceria com a Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades, as vendas de imóveis residenciais novos somaram 113,6 mil unidades entre abril e junho, alta de 5,3% sobre o mesmo período de 2025. Os lançamentos ficaram em 107,2 mil unidades, queda de 1,3%.
Os principais números
- Vendas no 2º trimestre: 113,6 mil unidades, alta de 5,3%.
- Vendas no 1º semestre: 226,5 mil unidades, alta de 5,4%.
- Lançamentos no 2º trimestre: 107,2 mil unidades, queda de 1,3%.
- Lançamentos no 1º semestre: 211,6 mil unidades, queda de 0,3%.
- Valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos no trimestre: R$ 62,4 bilhões, queda de 23,6%.
- Valor das vendas no trimestre: R$ 66,2 bilhões, queda de 5,5%.
- Estoque no fim de junho: 335,3 mil unidades, alta de 8,2% em um ano, o equivalente a 9,5 meses de vendas.
Mais unidades, menos dinheiro
O dado que mais chama a atenção é a diferença entre unidades e valores. As vendas cresceram em quantidade, mas caíram em reais. O motivo é a mudança no perfil dos imóveis: o Minha Casa, Minha Vida ganhou participação recorde nos lançamentos e nas vendas, e como os imóveis do programa têm preço menor, o valor médio despencou.
O preço médio dos imóveis lançados caiu de R$ 751,9 mil para R$ 581,9 mil em um ano. Isso não quer dizer que os imóveis ficaram mais baratos, e sim que o mercado passou a lançar proporcionalmente mais unidades econômicas e menos de médio e alto padrão.
Juros explicam o freio nos lançamentos
A queda nos lançamentos é atribuída principalmente aos juros altos. Com a Selic acima de 14% durante boa parte do semestre, o custo de financiar a obra e o risco de não vender as unidades a tempo aumentaram. Muitas incorporadoras de médio e alto padrão preferiram adiar projetos e concentrar esforços na venda do estoque.
Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, avaliou que o mercado “está mostrando bastante resiliência”. Sobre o estoque, afirmou que a “oferta final de imóveis está em uma situação muito equilibrada”.
O que o estoque diz
Um estoque equivalente a 9,5 meses de vendas é considerado saudável pelo setor. Estoques muito curtos podem levar a aumento de preços, enquanto estoques muito longos pressionam as incorporadoras a dar descontos. O crescimento de 8,2% no número de unidades disponíveis indica que há mais opções para o comprador, especialmente no segmento econômico.
Impacto para compradores e investidores
- Para quem compra pelo Minha Casa, Minha Vida, a oferta está ampla e as condições seguem favoráveis, com subsídios e juros abaixo do mercado.
- No médio e alto padrão, a redução dos lançamentos pode deixar a oferta mais restrita em alguns bairros quando os juros caírem.
- Para investidores, o momento pode favorecer a negociação de unidades prontas em estoque, que as incorporadoras querem girar.
O que significa vender mais do que lançar
Quando as vendas superam os lançamentos por vários trimestres seguidos, o estoque de imóveis novos tende a diminuir com o tempo. No segundo trimestre, foram 113,6 mil unidades vendidas contra 107,2 mil lançadas. Embora o estoque total ainda tenha crescido em um ano, a relação entre vendas e lançamentos mostra que a demanda segue firme.
Se essa tendência continuar e os lançamentos de médio e alto padrão permanecerem contidos, algumas regiões podem enfrentar escassez de imóveis novos nesse segmento em 2027 e 2028. Escassez de oferta é um dos fatores que mais pressionam os preços para cima. Para o investidor que compra na planta, acompanhar o volume de lançamentos por bairro é tão importante quanto acompanhar os juros.
O que observar
- Os dados do terceiro trimestre, que vão captar o período pré-eleitoral.
- A retomada dos lançamentos de médio e alto padrão caso a queda dos juros se confirme.
- A participação do Minha Casa, Minha Vida, que depende do orçamento do FGTS para 2027.
